Aniversário de Santos: Para quem?

26/01/2014 15:07

Nossos direitos só a LUTA faz valer!

Hoje Santos faz 468 anos, sendo assim uma das mais velhas cidades do Brasil. Sua história se confunde com a história de nosso país.

Historicamente de muita luta desde quando era conhecida como Enguaguaçu pelos indígenas que resistiam aos domínios de Portugal, ainda no século XIX, Santos foi progressista ao ser palco de ebulição de ideias abolicionistas como as de Silvério Fontes, considerados por alguns historiadores como um dos primeiros marxistas brasileiros; Em 1891 foi o epicentro da primeira greve geral do país, quatro anos mais tarde foi fundado em nossa cidade o Centro Socialista de Santos, e já em 1922 – ano de fundação de nosso partido – o PCB já promovia sua primeira reunião no extinto Sindicato dos Canteiros.

No século XX tínhamos apelidos como “Porto Vermelho”, “Central Sindical Brasileira”, “Moscouzinha Brasileira”, e muitos outros que remetiam à luta dos trabalhadores para resistir ao capital. No âmbito mais recente, do fim do século, podemos mencionar nosso protagonismo na luta antimanicomial, na qual destacamos o camarada psicólogo Celso Manço.

E o que temos hoje? Bom, é ainda coerente traçarmos um cenário totalmente pessimista: a presença de uma altíssima especulação imobiliária que expulsa os trabalhadores de nosso município; o privilégio do ensino privado frente ao ensino público; a saúde sendo entregue de bandeja ao terceiro setor em prol do lucro; as ilhas de calor estabelecidas pela construção de prédios cada vez mais altos, que funcionam como verdadeiros paredões contra os ventos; partes do Centro e da Vila Mathias funcionando como Cracolândias; mais de 25 mil moradores de palafitas onde o saneamento básico é inexistente; terrenos destinados à Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) inutilizados; a esquerda, fragmentada, com forças deveras desfocadas e difusas, encontra-se desarticulada com as camadas mais baixas de nossa população, sobretudo os trabalhadores da iniciativa privada; centenas de famílias estão para ser desapropriadas dos últimos redutos operários da Zona Leste; diversos grupos de extermínio, onde é notório que a Polícia Militar de São Paulo tem tentáculos, matam a juventude preta, pobre e periférica todos os dias; e, para finalizar, temos como prefeito um entusiasta de um neoliberalismo super elaborado, um filho de interventor da Ditadura Militar, que é maestro de diversas iniciativas para a socialização dos prejuízos e a privatização dos lucros...

Sendo assim, há motivos para comemorarmos? Não, não há, pois é evidente que - enquanto alguns poucos se esbaldam com bolos de glacê inteiros - muitos de nós não comemos sequer uma migalhinha de bolo de fubá dormido. Contudo como marxistas temos a certeza de que o processo dialético dará conta de reverter este quadro. Não que o quadro será revertido espontaneamente, por inércia, mas sim por meio de muita conscientização e luta. E neste sentido, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) é um histórico instrumento de luta da classe trabalhadora, e não uma mera sigla eleitoral, para o qual convidamos todos os que desejam militar de maneira sincera para que revertamos o quadro pessimista em nosso município nos mais diversos locais de estudo, trabalho e moradia. Porque se Santos deve ter dono, que o dono seja o povo!