Atendentes do Poupatempo de Santos paralisaram suas atividades 21/05!

21/05/2012 21:03

Eis um exemplo de terceirização, e consequentemente precarização, do serviço público. A agência do Poupatempo - serviço de acesso a informações e emissão de documentos - de Santos é administrada por um consórcio de quatro empresas privadas: B2BR, Mazzini, Projecto e Terracom. Neste sistema, o estado paga um certo valor por cada servidor para o setor privado, para que o setor privado repasse menos dinheiro em forma de salário para cada funcionário. Resultado: os funcionários do Poupatempo recebem pouco mais de um salário mínimo para trabalhar em uma rotina estafante de contato direto ao público, público este com necessidade de procedimentos urgentes (muitas vezes transparecendo seu estresse), causando estresse também nos atendentes.

A nova Lei de Acesso à Informação, recém entrada em vigor, da qual quiçá trataremos em outra ocasião, é um novo instrumento capaz de nos mostrar o lucro que tais empresas têm em cima de cada funcionário terceirizado, sendo que temos exemplos de que o estado paga cerca do triplo do rendimento líquido de cada funcionário, dinheiro este que sai do bolso do contribuinte brasileiro. Mas o que sabemos, além do salário rebaixado, é que os atendentes não têm - devido à rotina de trabalho principalmente - o tempo de descanso que lhes é de direito. Recebem como auxílio-alimentação míseros R$46 mensais e vale-refeição de R$8 (seria vale-coxinha?). O máximo que um atendente pode passar trabalhando no processamento de dados, para a saúde do próprio trabalhador, são cinco horas consecutivas, extrapoladas facilmente. Muitas vezes fazem atividades típicas de policial civil, como papiloscopia. E outra injustiça, não há isonomia salarial: os trabalhadores de Santos ganham menos que os trabalhadores dos mesmos cargos da capital por exemplo.

A Secretaria de Gestão Pública do Governo do Estado de São Paulo simplesmente notificou o consórcio para que se reestabeleça o atendimento (!), e a imprensa da região em grande parte focou o caos no atendimento devido à falta dos atendentes sem qualquer sensibilização às suas reivindicações. Hoje os trabalhadores retornaram às atividades mostrando serem transigentes e dispostos a negociar, mas no caso de intransigência do outro lado sinalizaram uma greve geral na quinta-feira. Segundo lideranças do movimento, a paralisação foi de 75% dos trabalhadores terceirizados.

Nós do PCB somos favoráveis, sempre, que todos os funcionários das repartições públicas sejam admitidos por concurso público, que todos os cargos tenham plano de carreira, salário digno, e incentivo à atualização, à reciclagem, e outras qualificações para o bem da prestação do serviço público para a sociedade. Terceirizações são mecanismos que o capital possui para adentrar no serviço público como faz o chupim no ninho de outros pássaros. E assim lucram por dentro de nossas instituições públicas, que deveriam ser geridas pelo próprio povo.

 

TODO O APOIO ÀS REIVINDICAÇÕES DOS TERCEIRIZADOS DO POUPATEMPO!
PELO FIM DOS LUCROS DAS EMPRE$A$ PRIVADA$ INFILTRADAS NO SETOR PÚBLICO VIA TERCEIRIZAÇÕE$!