Fidel reaparece questionando a mídia

24/10/2012 17:22

De CafeNaPolitica.com
Tradução livre nossa.
 

 Dado como agonizante, com morte cerebral e outras situações desesperadoras de saúde, Fidel Castro ressurgiu ontem de um de seus estratégicos silêncios para questionar o papel da mídia no mundo. Aparentando boa disposição e inspecionando campos agrícolas em Cuba, o líder cubano também se mostra lendo um Gramma, o jornal oficial do país, para que o bom leitor, vendo a data, saiba que ele realmente está vivo, apesar do desespero das cassandras midiáticas.

Mas ele diz ter se convencido de uma certeza, na sua última Reflexões série de artigos que publica esporadicamente e cuja ausência teria sido a razão dos rumores do agravamento de sua saúde: “Mesmo que algumas pessoas no mundo sejam enganadas pelos órgãos de informação, quase todos em mãos dos privilegiados e ricos, que publicam esse tipo de estupidez, os povos do mundo cada vez acreditam menos

Numa coluna intitulada “Fidel está agonizando”, o velho guerreiro critica os boatos de sua morte divulgados pelo mundo inteiro, como se fossem verdades comprovadas pelos veículos mais poderosas do planeta,  classificando como parte de un “galinheiro de propaganda imperialista, que se alimenta da mentira, com a única intenção de manipular a opinião pública”.

Ele disse ter suspendido as Reflexões  para “evitar ocupar as páginas de nossa imprensa (a cubana, que é estatal), consagrada a outras tarefas que exige o país, mas advertiu às ” aves de mal agouro”, que distorcem a informação e falam de seus “achaques”, que “não lembro sequer do que seja uma dor de cabeça”.

A seguir, em espanhol, o traduzido para o português artigo de Fidel Castro no cubadebate.com.

 

Por Fidel Castro

Bastou uma mensagem aos graduados do primeiro curso do Instituto de Ciências Médicas Victoria de Girón, para que o galinheiro imperialista de propaganda se excitasse e as agências informativas se lançassem vorazes por detrás da mentira. E não só isso, mas também seus despachos midiáticos lançaram ao expectador as bobeiras mais insólitas.

O periódico espanhol ABC publicou que um médico venezuelano, radicado sabe-se lá onde, revelou que Castro havia sofrido uma embolia massiva na artéria cerebral direita, "posso dizer que não voltaremos a vê-lo publicamente". O suposto médico, o qual se o é abandonaria primeiro seus próprios compatriotas, qualificou o estado de saúde de Castro como "muito próximo ao estado neurovegetal".

Ainda que muitos no mundo são enganados pelos órgãos de informação, quase todos em posse dos privilegiados e ricos, que publicam estultices como esta, a população cada vez mais abrem seus olhos e acreditam menos nelas. Ninguém gosta de ser enganado, nem mesmo o mentiroso mais incorrigível espera que lhe digam a verdade. Todo o mundo acreditou, em abril de 1961, nas notícias midiáticas que diziam que os invasores mercenários de Girón (ou Baía dos Porcos, como queiram) estavam chegando a Havana, quando na realidade alguns deles tratavam de chegar infrutifeiramente em botes nas naves de guerra ianques que os escoltavam.

Os povos aprendem e a resistência cresce frente às crises do capitalismo, as quais se repetem cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou novas armas, poderão impedir a derrubada de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.

Faz poucos dias, perto do aniversário de 50 anos da "Crise de Outubro", as agências apontaram três culpados: Kennedy, recém chegado à chefia do império, Kruschov, e Castro. Cuba nada teve a ver com o armamento nuclear, nem com a matança desnecessária de Hiroshima e Nagasaki perpetrada pelo presidente dos EUA Harry S. Truman, estabelecendo a tirania das armas nucleares. Cuba defendia seu direito à independência e à justiça social.

Quando aceitamos a ajuda soviética em armas, petróleo, alimentos, e outros recursos, foi para nos defender dos planos ianques de invadir nossa pátria, esta submetida a uma suja e sangrenta guerra que este país capitalista nos impôs desde os primeiros meses, o que custou milhares de perdas e mutilações de cubanos.

Quando Kruschov nos propôs a instalação de projéteis de médio alcance similares aos que os Estados Unidos tinham na Turquia - estes mais perto da URSS do que Cuba dos EUA - , como uma necessidade solidária, Cuba não vacilou diante deste risco. Nossa conduta foi eticamente intachável. Nunca pediremos desculpas a nada pelo que fizemos. O certo é que já se passaram meio século e ainda estamos aqui de cabeça erguida.

Gosto de escrever, e escrevo; Gosto de estudar, e estudo. Existem muito a ser feito na área dos conhecimentos. Nunca as ciências, por exemplo, avançaram numa velocidade tão assombrosa.

Deixei de publicar reflexões (Reflexiones) porque não é meu papel ocupar as páginas de nossa imprensa, consagrada a outras tarefas que o país requer.

Aves de mal agouro! Não me lembro sequer do que é uma dor de cabeça. De tão mentirosos que vocês são, lhes oferto as fotos que acompanham este artigo.

Fidel Castro Ruz
Octubre 21 de 2012