O contexto da UNIFESP-Baixada Santista: conclusões do Fórum de Estudantes

03/03/2013 00:58

Apesar do número reduzido de estudantes (cerca de 30 pessoas revezando-se), a força de vontade para discutir um melhor ensino superior público, pesquisa e extensão em prol da classe trabalhadora, a desconstrução dos estereótipos dos cursos, o autoritarismo das cúpulas universitárias, e a expansão do ensino superior sem critério qualitativo, deram o tom do sábado ensolarado de 2 de março de 2013. Estavam ali veteranos e calouros, alguns inclusive que sequer tiveram uma só aula na Universidade Federal de São Paulo.

Depois de uma fala de abertura, foram distribuídas fichas para que cada um dos participantes falasse sobre um tema, conforme seus conhecimentos: expansão, pesquisa, extensão, ensino, REUNI, Bixos e Bixetes, trote, CA/DA/DCE, Atlética, entre outros de complexidades variáveis. Após a exposição breve do portador da ficha, outros podiam complementar tema e contribuir, sendo que a discussão ficou tão animada que quase prejudicou o horário das outras atividades: eram muitas dúvidas, e também muitos argumentos diferentes que se complementavam entre si, uma dinâmica altamente pedagógica. Falava-se da realidade específica da UNIFESP, partindo para a realidade geral das instituições federais brasileiras e até mesmo a universidade brasileira como um todo. Chegou-se à seguinte pergunta central: "Meu curso, no atual contexto, com esta determinada grade de disciplinas e professores com determinados pontos de vistas ideológicos, serve a quem?".

Posteriormente, houve uma mesa com o Centro Acadêmico Unificado da UNIFESP-BS (o qual congrega todos os cursos do campus), da Atlética, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), onde novas questões foram levantadas. E por fim, membros de executivas nacionais dos cursos de Educação Física, Nutrição, Psicologia e Serviço Social expuseram a realidade dos respectivos cursos nacionalmente e suas demandas. Foi surpreendente ver, para quem tem a visão ainda limitada da realidade universitária brasileira, que as demandas de todos os cursos eram bem congruentes. Uma das várias conclusões é que a universidade pública brasileira, por mais que esteja na lógica do estado burguês, possui contradições a serem disputadas. É, portanto um espaço em constantes tensões e diversas disputas.

Apontou-se a necessidade de organizar o movimento estudantil, e o fato de que os estudantes devem se unir aos trabalhadores. No tocante da universidade, a produção científica deve ter a função social de servir a toda a sociedade, e não para o enriquecimento de grupos privados. E, finalmente, a universidade pública deve ser tratada como tal, e não como propriedade das cúpulas da administração superior fazendo-se confundir com propriedade pessoal e abrindo precedente para toda a gama de autoritarismo.

Os presentes se mostraram dispostos para o trabalho de base junto dos estudantes que estiveram ausentes, continuando com a discussão no cotidiano acadêmico. O PCB, agora inserido no corpo discente do campus, se compromete a ajudar nas pautas específicas do movimento estudantil, articulando-as com questões sociopolíticas mais gerais.

 

POR UMA UNIVERSIDADE CRÍTICA, CRIADORA E POPULAR!