Portuários: Greve anunciada contra o uso da ABIN pelo Governo Dilma

11/04/2013 17:44

Portuários de todo o País estão programando uma greve em protesto contra a ação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no porto da Suape, em Pernambuco. O presidente da Federação Nacional dos Estivadores, Wilton Ferreira Barreto, afirmou nesta terça-feira, 9, que categoria está revoltada com a atitude do governo de monitorar o movimento sindical e pretende parar nesta ou na próxima semana.

Identificado como “Ordem de Missão 022/82105”, de 13 de março de 2013, o ofício encaminhado a superintendências da Abin em 15 Estados litorâneos traz em destaque o alvo dos agentes: “Mobilização de Portuários”. O GSI confirma a autenticidade do documento.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,portuarios-programam-greve-em-protesto-a-vigilancia-de-sindicalistas,1018886,0.htm

 

Vazou na imprensa a vigilância da Agência Brasileira de Informações (ABIN), cria direta do SNI (Serviço Nacional de Informações) da ditadura militar. Na mira, sindicalistas de duas centrais (Força e CUT), da Federação Nacional de Estivadores e de correntes sindicais. Entre estes, militantes da Unidade Classista de Santos. Ainda que desmentidos estejam sendo feitos, a Ordem Missão 022/82105 é autêntica como vem noticiando o jornal O Estado de São Paulo.

O vazamento das informações pode ser intencional como meio para intimidar sindicalistas. Se tinhamos o assédio moral e sexual, o governo Dilma inaugura o assédio político em grande estilo. De qualquer modo, é um método autoritário, pois nada está sendo feito pelos portuários do país senão a utilização do legítimo direito de defender seus interesses trabalhistas.

Em Santos, se o clima entre os portuários indicava forte disposição para a deflagração de uma greve, este sentimento se fortalece e ganha outros importantes portos do país. Ao adotar meios repressivos para conter o movimento portuário contra a medida provisória que sob a proclamação de ‘modernizar os portos’, prevê a precarização de direitos aos trabalhadores dos cais, o governo Dilma começa a revelar até onde pode ir chegando a iniciar o uso de mecanismos herdados da falecida ditadura militar que parecem ser mais do que um fantasma como alguns poderiam pensar. O braço repressivo do estado não foi desmontado após a democratização, está vivo e atuante e, pelo o que tudo indica, serve bem ao governo federal.

Seria um absurdo pensar que por amadorismo a notícia da vigilância vazou. Podemos computar o vazamento à permanência dos que professam saudades do autoritarismo que dominou o Brasil de 1964 a 1985. Inclusive, os fascistas e seus asseclas estão colocando “as manguinhas de fora” há um bom tempo, basta ver as ameaças à OAB por conta da Comissão da Verdade, e as ameaças recentes ao PCB. Não podemos ficar pensando que sejam pequenos grupos tresloucados ainda que o sejam. Vivemos a perda e precarização de direitos trabalhistas, a criminalização dos movimentos sociais, a propaganda fascistóide cotidiana nos meios de comunicação que exaltam a utilização da força, a pena de morte e transformam ilegalidades em ações ‘para o bem estar da sociedade’.

O estado brasileiro vem transformando a questão social em cada vez mais uma questão policial, repetindo a política preventiva das elites que se sucederam na história nacional.

Os portuários têm o legítimo direito de deflagrarem uma greve nacional contra os desmandos do governo Dilma. Se pensarmos que o PT transita apenas para a colaboração de classes, vemos que caminha para uma vertente que não só contradiz sua origem, mas também, volta decisivamente suas costas aos trabalhadores que diz defender e anda cada vez mais próximo da repressão explícita dos movimentos popular e operário. De bombeiro das lutas dos trabalhadores caminha para a traição, já não tão envergonhada, compondo-se ao grande capital cada vez mais.

Somos solidários aos portuários e exigimos a apuração e a denúncia às comissões internacionais de direitos humanos sobre os atos abomináveis do governo brasileiro.

Corrente Sindical Unidade Classista do Estado de São Paulo - (UC-SP)
Partido Comunista Brasileiro (PCB)