Professores da UNIFESP (Campus Baixada Santista) em greve.

23/05/2012 14:23

No ano passado os servidores administrativos (carreira PCCTAE) da mesma universidade já haviam entrado em greve, dada as condições lamentáveis da carreira e da realidade conjuntural da educação federal. No entanto, com a flagrante crescente da precarização e proletarização do trabalho dos professores das universidades federais, conjugadas com um governo insensível, uma nova greve - desta vez dos docentes - tornou-se inevitável. Esta tabela é apenas um recurso introdutório para nos basearmos como o rendimento dos professores, dada as responsabilidades sociais que possuem, está extremamente rebaixado:

Poderíamos gastar milhares de caracteres para dissertar acerca da legítima pauta salarial dos professores, mas a tabela acima fala por nós. E não sejamos demagogos, um projeto sério de educação de qualidade passa necessariamente pelo professor bem remunerado. Contudo, vamos focar nosso discurso na intransigência do Governo Dilma (que se elegeu denominando-se popular e de esquerda para se contrapor ao tucano José Serra) e nas condições de trabalho dos professores excetuando-se a questão salarial.

Com suas origens na Escola Paulista de Medicina, a UNIFESP foi criada em 1994. Com o REUNI aprovado sem qualquer discussão democrática nos seios universitários (em muitos com a polícia impedindo a entrada de contrários ao REUNI no conselho, bem de modo saudosista da Ditadura Militar), através de conselhos presididos por reitores coniventes com as medidas de precarização do ensino superior público (estas ditadas pelo Banco Mundial e pelos tubarões do ensino superior privado), muitos campi da UNIFESP surgiram, sendo o da Baixada Santista um dos os exemplos mais genuínos do resultado deste programa de ampliação e reestruturação (sic).

O Campus da Baixada Santista, resultado da ampliação sem qualquer planejamento do decreto REUNI, começou funcionando no improviso, como funciona até hoje. Os professores têm de fazer das tripas coração para dar aula em três prédios diferentes, lidar com a falta de estrutura, de laboratórios, de quadras poliesportivas satisfatórias para o curso de Educação Física, entre outros fatores lamentáveis presentes nas universidades federais que são resultado dessa expansão feita de maneira irresponsável para inflar dados estatísticos em detrimento da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Dentro dessa perspectiva de falta de estrutura, a responsabilidade de fazer pesquisas, escrever artigos segundo a atual lógica produtivista, orientar trabalhos, qualificar-se e reciclar-se, é jogada para o próprio docente na base do "se vira! Caso não consiga o índice necessário, será punido!" quando a relação de alunos para cada professor aumentou vertiginosamente (a falta de professores é "resolvida" com mais improviso, entre eles a contratação de substitutos sem dedicação exclusiva). Enquanto isso, um prédio é inaugurado sem estar próprio para a utilização, sem acabamento, despencando seu forro nas primeiras chuvas. É impossível se fazer um bom trabalho nestas condições, assim como é bastante difícil atrair os melhores estudantes para a carreira acadêmica se esta se mostra ingrata, e com tudo isto quem perde é o Brasil.

Chamamos toda a massa crítica do corpo discente da UNIFESP e das cidades da Baixada Santista para o entendimento da questão dos professores universitários, sem argumentos rebaixados do tipo "enquanto isto EU estou sendo prejudicado" ou "mas eu conheço quem vive só com um salário mínimo...", lembrando a todos que este movimento do Campus Baixada Santista faz parte não só de um movimento no âmbito de todos os campi da UNIFESP, mas de universidades federais de todo o Brasil.

O PCB apoia as lutas conjuntas e específicas dos professores e de quaisquer servidores das universidades e institutos federais contra a intransigência do governo do PT que, após aprender os métodos de reivindicação da esquerda, utilizam tal conhecimento para trair os trabalhadores e agradar a direita. Reivindicamos que as condições de trabalho dos professores devem ser muito melhores, com plano de carreira atraente, laboratórios apropriados, salas de aula decentes, estrutura para pesquisa e estudos individuais, entre outros. E vamos mais além: é importante tratarmos do CARÁTER do ensino universitário, o qual nunca é neutro, logo seu currículo deve estar pautado nas necessidades populares, ou seja, uma universidade PARA ALÉM DO CAPITAL.