Reflexões sobre o 1º de maio em nossa região

02/05/2012 13:23

A classe dominante então se apossa do 1º de Maio, e o deturpa, domestica, para que o trabalhador esqueça sua história, transformando a data numa festividade antipedagógica com shows musicais, sorteios de carros, e palanque eleitoreiro propagando a enganação via pão e circo”

 

E infelizmente nossa “profecia” se concretizou. Talvez por não se tratar de uma profecia quando o fato é na verdade prática viciada e bolorenta do chamado sindicalismo pelego, cujo papel não é lutar pelo trabalhador mas sim amortecê-lo. O trecho destacado no topo da presente postagem nada mais é que parte do texto do panfleto entregue no 1º de maio 2012, planejado devido aos anúncios em jornais locais de um evento para a comemoração do Dia Internacional do Trabalhador ocorrido na Passarela do Samba Dráusio da Cruz na Zona Noroeste de Santos, próximo à divisa com São Vicente.

Aproveitando a concentração de pessoas que se dirigiriam ao local, militantes comunistas distribuíram panfletos que resgatavam a verdadeira história do 1º de maio e denunciavam a prática intencional de deturpação da data histórica – com a vil intenção de desconectar a classe trabalhadora de sua história de lutas – a fim de transformá-la numa simples festa totalmente descaracterizada. Distribuímos centenas de panfletos em partes dos dois municípios limítrofes, assim como dentro do próprio sambódromo. Não distribuímos mais porque não sabíamos, em nossa vã inocência, que o evento teria uma magnitude tão grande (O portal do jornal A Tribuna apontou, depois de terminado o evento, um público de 50 mil pessoas). Cabe registrar que a recepção durante a entrega dos panfletos foi muito boa, e se para nós é muito confortante ter contato com a população, ver pessoas lendo nosso conteúdo (elaborado tão às pressas, é verdade!) com interesse foi tão revigorante que saímos de lá com a missão cumprida. Para vocês, nosso 'muito obrigado'!


  Crédito: ATribuna.com.br

Cabe a nós, agora, continuarmos a denúncia em nosso veículo aqui na rede mundial de computadores, a internet. O evento foi organizado pela Força Sindical, pela Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e pela Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), e patrocinado pela Honda e pelo Magazine Luiza. Oras, chega a ser irônico um evento do 1º de maio ser patrocinado por estas empresas! A multinacional japonesa Honda, por exemplo, em maio de 2011 foi denunciada por assédio moral coletivo no ministério público, anunciou demissão em massa por todo o Brasil (400 pessoas só em sua fábrica de Sumaré-SP, chegando a demitir até por telegrama!), tudo isso em pleno processo de crescimento da capacidade produtiva do setor automobilístico e sem sequer entrar em contato com o sindicato da categoria. O Magazine Luiza, por sua vez uma das maiores redes varejistas do Brasil, sofreu ação do Ministério Público do Trabalho de Ribeirão Preto em 2011 por deixar de cumprir legislação trabalhista a fim de aumentar seus lucros (após 87 multas!), no Mato Grosso do Sul empurrava seguros aos clientes a fim de assegurarem o pagamento de prestações (as investigações feitas desde 2006 viraram uma ação neste ano), foi denunciada em 2010 por diversos fatores em Matão-SP, portando-se então contra a classe trabalhadora de maneira contumaz. Fica então nossa pergunta em tom de provocação para os organizadores: considerando tais fatos relacionados às empresas, ricamente narrado em qualquer pesquisa superficial em um motor de busca da internet, de que lado vocês realmente estão?

De maneira parecida portou-se a CUT em todo o Brasil. No caso do Guarujá, a "Festa do Trabalhador" da Praça 14-Bis, organizada pela CUT com direito a discurso da prefeita Maria Antonieta, teve o palco de shows desabado... Não contentes por descaracterizar o significado do primeiro de maio amaciando a classe trabalhadora com um evento festivo que serviu também como palanque eleitoreiro, promovem o evento com uma estrutura de má qualidade. Chega a ser inacreditável!

Entendemos o interesse da população por um evento festivo gratuito, afinal, raros no Brasil inteiro, eles são para muita gente as únicas oportunidades para a apreciação de momentos de lazer. Também entendemos o interesse da população em poder ganhar um bicicleta, uma moto, ou um carro, pois levamos em conta que todos querem melhorar de vida ou até mesmo cobrir despesas ou dívidas imediatas para seguir vivendo no sistema capitalista. Contudo, faz parte das práticas históricas do PCB a denúncia do caráter de eventos como estes, assim como de grupos que, apesar de travestidos de favoráveis, na prática atuam contra os trabalhadores. 
É de suma importância discutirmos as opções de divertimento gratuito e de baixo custo que a Baixada Santista dispõe, o custo do acesso a tais opções (nossas cidades possuem alguns dos transportes coletivos mais caros do país), assim como a questão da ocupação e do uso de nossos espaços públicos. Convidamos inclusive toda a população para discutir com o partido, como manda a prática dos comunistas. Todavia, como nos provou diversas experiências socialistas, a vida dos trabalhadores só melhorará verdadeiramente com os trabalhadores tomando o controle das fábricas, das terras, e dos saberes, e não com o recebimento de migalhas de empresas privadas com a benção do sindicalismo amarelo.

 

"Senhores, patrões, chefes supremos
Nada esperamos de nenhum!"
(A Internacional)
 

Veja também o artigo Jacques Gruman, no site nacional do PCB: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3946