Repressão em Jirau após o fim da greve

05/05/2012 10:42

 

Quase um mês após o fim da greve na Usina de Jirau, a situação dos operários continua tão ruim ou até mesmo pior do que antes da paralisação. A empresa Camargo Correa está ameaçando de demissão aos trabalhadores que fizeram parte da Comissão de Negociação. Segundo os trabalhadores, a empresa ofereceu o pagamento de um ano de trabalho, com o objetivo de burlar a legislação que garante a estabilidade de um ano para os trabalhadores que fazem parte de Comissões. A questão ainda está sendo negociada entre os trabalhadores, o sindicato e a empresa, mas a perseguição contra os trabalhadores está clara. O que a empresa quer é afastar os membros da Comissão da obra, tentando, assim, acabar com a mobilização da categoria.

Os trabalhadores que fazem parte da Comissão que a Camargo Correa quer demitir são os mesmos que estiveram à frente da paralisação e com os quais a empresa vem negociando nas últimas semanas. A rodada de negociações, iniciada após o fim da greve, terminou há alguns dias e os operários conseguiram um pouco mais na reivindicações: um aumento de 13% no salário e de R$50 na cesta básica, que vai passar de R$220 para R$270, a partir de maio. A extensão do plano de saúde à família com cobertura nacional não foi atendida.

Caminhoneiro processados

Os caminhoneiros que abastecem a Usina de Jirau com todo o tipo de material estavam com os caminhões parados desde o início da greve dos operários. Após o fim da greve, a Energia Sustentável do Brasil e as transportadoras solicitaram que os trabalhadores descarregassem os caminhões, mas ninguém queria assumir o pagamento das diárias as quais os caminhoneiros têm direito quando os veículos estão parados.

Nesta semana, sete caminhoneiros da empresa Ebmac foram surpreendidos com uma liminar da justiça de Porto Velho que os obrigava a descarregar as mercadorias na usina. Hoje, 26 de abril, outros caminhoneiros receberam a mesma liminar. Por telefone, o caminhoneiro Rafael Robson de Souza, que trabalha para a Ebmac, nos contou que três caminhoneiros aceitaram a proposta da empresa de receber apenas R$9.500 pelos dias parados, descarregaram e já saíram de Jirau. Mas ele e outros dois companheiros continuam na obra e precisarão se defender das acusações feitas no processo, já que não assinaram o acordo oferecido pela empresa. Eles ainda não receberam nada pelos dias que ficaram parados. 

Operários da WPG pressionados pelo Sticcero

A situação também é grave para os trabalhadores da WPG, TPC e Dominante, que foram abandonados pelas empresas desde o ano passado, sem receber seus direitos e sem rescindir o contrato de trabalho.

Eles estão alojados em um hotel da capital, esperando que a causa trabalhista referente ao caso fosse julgada. Uma nova audiência está marcada para amanhã, 27 de abril. Mas o Sindicato da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), que por decisão judicial, tem a obrigação de manter os trabalhadores na capital, avisou-os ontem que só vai garantir alojamento e alimentação dos trabalhadores até amanhã.

O conflito entre os trabalhadores e o Sticcero foi deflagrado no ano passado, quando eles discordaram em relação ao processo. O Sticcero não aceita a tese defendida pelos trabalhadores e pelo Ministério Público do Trabalho de que os operários ainda mantêm o vínculo empregatício com as empresas, uma vez que os contratos de trabalho não foram rescindidos. Durante a última audiência realizada em Porto Velho, os operários declararam que o Sindicato não os representa, uma vez que o intuito do Sticcero parece ser negociar a causa a qualquer custo e não defender realmente aos trabalhadores.

fonte:http://anovademocracia.com.br/blog/?p=3273